quarta-feira, 25 de junho de 2008

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Está a terminar um período de discussão pública sobre documentos produzidos pelas denominadas medicinas complementares e alternativas no sítio da Direcção Geral da Saúde, com vista a uma futura regulação. É um bom momento para recomendar algumas leituras, nomeadamente o recentíssimo

Suckers - How Alternative Medicine Makes Fools of Us All
Rose Shapiro
Harvill Secker, Fevereiro de 2008

disponível através da Amazon para quem quiser. 258 páginas e algumas centenas de referências bibliográficas documentando o que é escrito.

Transcrevo os primeiros parágrafos do capítulo 10 - The healthy sceptic

There are two definitions of the word 'sucker' I had in mind when I thought about the title of this book. Sucker: one who lives at the expense of others, and sucker: a gullible or easily deceived person. The growth of alternative medicine in the modern era has depended on the existence of both kinds of sucker.

And when I suggest that alternative medicine makes fools of us all, I am thinking about not only those who practise alternative medicine and those who use it, but also those of us who simply let it carry on unchallenged. There is a pervasive tolerance of complementary and alternative medicine which allows it to flourish. I believe this indulgent laissez faire approach is no longer acceptable and needs to change. The growth of CAM [complementary and alternative medicine] matters - it trades in false hope, it is bad for our health, it threatens our intellectual culture, it wastes public money and it undermines some of our most important and valued institutions. Those who promote it and the junk science that all too often accompanies it, are, to quote Raymond Tallis, 'enemies of mankind's best hope for a better future. In short, enemies of mankind'."

A luta contra o obscurantismo, a superstição, a crendice, a ignorância e a vigarice continuam.

(Com um agradecimento ao Jansenista por ter chamado a atenção para este livro).

sexta-feira, 20 de junho de 2008

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Início de Verão. Calma? Talvez, mas improvável. Calor? Talvez e provável.
As férias tenderão, progressivamente, a ser um privilégio de poucos. Sobram os amigos. Este "sobram" minimiza aquilo que, afundados em folhetos prometendo o paraíso em resorts todos iguais, tendemos a esquecer. E que é o que, afinal, conta.

domingo, 15 de junho de 2008

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Terça feira última, no Mosteiro de Alcobaça, quatro homens mostraram porque motivo a voz humana nua prevalecerá sobre o ruído e a confusão.

domingo, 8 de junho de 2008

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Não ligo a futebol. Mas um fim de tarde na Ribeira com temperatura amena, Gaia iluminada pelo sol poente e o rio tranquilo, uma esplanada, a companhia certa, cerveja gelada e uma pequena multidão frente do écran gigante a aplaudir... é qualidade de vida.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

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O país atravessa uma crise económica. Mas dois dias do Rock in Rio esgotaram, com bilhetes a 53 euros.
Curiosa crise, esta.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

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She was that woman who always seemed to be passing by on days when the shade was green under the tunnels of oaks and elms in the old town, her face shifting with the bright shadows as she walked, until it was all things to all people. She was the fine peaches of summer in the snow of winter, and she was cool milk for cereals on a hot early-June morning.
Ray Bradbury - A story of love

sexta-feira, 30 de maio de 2008

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Combustíveis e alimentos sobem. Sinais separatistas reforçam-se um pouco por todo o lado. A rede global reforça a imagem mútua dos que têm e dos que não têm. Os que não têm, um destes dias, vão querer ter. A desagregação é tendencial, ao mesmo tempo que os gritos sobem de tom.
Guerras começaram por menos. Sempre houve a esperança de que, de cada vez, houvesse juízo. Nunca houve.
Preparemo-nos.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

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Um problema sério da vida ocidental é a ausência de espaços de silêncio.

sábado, 24 de maio de 2008

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Fragmento de imagem de O sacrifício - Andrei Tarkovsky, 1986

Subscrevo isto integralmente. Mas digo mais: a frase de Tarkovsky citada é, igualmente a tese central de O sacrifício.
Haja esperança.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Nas trincheiras (2)

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"[...], preciso muito de falar consigo!"
"Ok. Venha daí."
"O quê? Agora?"
"Sim, claro! Se precisa, venha, que eu arranjo aqui um espacinho, apesar de isto estar cheio como um ovo..."
"Huh... não poderia ser antes na próxima sexta feira?"

segunda-feira, 19 de maio de 2008

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Fala-se de setenta e um mil mortos. De diferente o facto de, antigamente, estas coisas acontecerem longe. Um milhão de mortos na China, antigamente era apenas um número. Hoje estão na nossa casa, ao vivo e a cores. E em muitos perpassa uma expressão de choque, ao perceberem finalmente que os mortos soterrados e as famílias que os buscam são gente exactamente como cada um de nós.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

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O Primeiro Ministro terá decidido deixar de fumar após o episódio das viagens entre Lisboa e Caracas.
Acho bem. Há problemas para os quais quase todas as soluções são boas. Recomendo assim uma ponte aérea entre Lisboa e Caracas. Apenas para fumadores.
(Era bom que fosse assim tão fácil).

domingo, 11 de maio de 2008

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O assassinato de carácter continua em moda como, aliás, em todas as épocas. Servido por jornalistas de serviço, homens de mão, eminências pardas e, mais recentemente, blogueiros anónimos. Nada de novo, repito, a não ser a actualização das tecnologias. O fenómeno merece estudo usando métodos entomológicos, mas exige um estômago forte.

Isto foi apenas um desabafo. Desculpem.

sábado, 10 de maio de 2008

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Parte da manhã passada na Escolar Editora e na Byblos. Tenho saudades de encher a barriga de livrarias, de modo que optei por ir, em vez de procurar nos catálogos da net. Soube-me muito bem.
Uma diferença, contudo. Na Byblos algo me incomodava. De repente percebi que era a música. Note-se que gosto muito do que estava a tocar (Gotan Project) mas na Escolar havia silêncio. O silêncio de recolhimento das bibliotecas e salas de leitura clássicas. Esse silêncio faz-me falta.

O livro, esse, vou ter de o comprar pela Amazon.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Breve comentário a obras de Sir William Osler (Aequanimitas) e Saint-Exupéry (Cidadela) aqui.

domingo, 4 de maio de 2008

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Quarenta anos sobre o Maio de 68. Não vai haver paciência para tanto Cohn-Bendit e que tais, e para os inevitáveis desiludidos da vida que acham (acham sempre) que aquilo não deu em nada e esteve aquém das expectativas. Esquecem-se de que a vida, por definição, fica sempre aquém do sonho.

Chega de discursos nostálgicos da treta. O futuro faz-se hoje.

quinta-feira, 1 de maio de 2008


Foto: S., com telemóvel. 30/04/08

Monumental aula de guitarra eléctrica ontem à noite no Coliseu de Lisboa, a ser repetida a esta hora no Coliseu do Porto. Assistência claramente constituída por todos os guitarristas passados, presentes e futuros a sul do Mondego, que os que vivem a Norte estão lá agora. Joe Satriani tem um domínio do instrumento que raia a perfeição e, ainda por cima, diverte-se à grande com o que faz. Apresentou-se com uma formação simples: bateria, baixo e viola-ritmo a acompanhar. O baixista, a meio, deu um verdadeiro espectáculo a solo com um exercício de slapping perfeitamente endiabrado que levou a assistência ao telhado. Foram tocados os temas de que a assistência estava à espera e toda a gente saiu contente e a dizer coisas como "Este gajo é o maior! Brutal!" e afins. Duas horas depois já havia clips do concerto no YouTube, que dão uma razoável ideia de como correram as coisas (basta teclar "Satriani" e "Coliseu").

E contudo houve algum cansaço durante uma parte importante do concerto. A minha sensação é a de que, apesar do virtuosismo exibido, o modelo de rock praticado por Satriani e outros grandes da guitarra, herdeiros de Hendrix, Ritchie Blackmore e outras lendas, se está a esgotar. Estupendo como foi este concerto, fica a ideia de que o futuro, do ponto de vista musical, anda por outras paragens.

quarta-feira, 30 de abril de 2008

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Estou cada vez mais convencido de que a depressão é uma doença física. Orgânica. Com uma causa física, orgânica. Tudo o resto serão apenas os gatilhos que a disparam. Deve ser por isto que uma psiquiatra amiga diz, com ar de desprezo meio a brincar meio a sério, que sou um organicista.
Prefiro aceitar que sou é ignorante. Sabemos muito, muito pouco.

domingo, 27 de abril de 2008

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Primeiro fim de semana de praia do ano, primeira fatalidade e mais alguns sustos avulsos. Como de costume clama-se por aumento da vigilância nas praias. Não ouvi uma só cabeça televisiva exigir mais educação cívica para a autoprevenção de acidentes. Somos um país em que a responsabilidade pessoal é substituída por múltiplos paizinhos e mãezinhas. Se calhar não é só cá que é assim, mas cá é. E é pena.

sábado, 26 de abril de 2008



Foto: S., com telemóvel. 25/04/08
O 25 de Abril de 2008 já passou. O país aproveita o calorzinho para uma primeira incursão balnear. Lisboa vista ontem de Almada estava, como de costume, a cidade mais bonita do planeta. As cidades, vistas de longe, são sempre mais bonitas.