segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Passei hoje algum tempo em transportes públicos. Raramente os uso. Não há mérito nem demérito neste facto, é apenas um facto. Levei um livro e li todo o tempo. Deu para alguns capítulos. À minha volta a esmagadora maioria limitava-se a olhar o vazio. Alguns mais jovem demoliam os tímpanos com phones. Na minha estimativa perdem-se muitos milhões de horas em transportes públicos que poderiam ter um excelente aproveitamento: ler.

A culpa não é toda das pessoas, que a cultura de imbecilização vigente ajuda, e muito. Mas a culpa também é delas.
(E não me digam que é do preço dos livros. Quantos ali dentro terão plasmas em casa? Eu não tenho. Nem lhe sinto a falta).

6 comentários:

Anónimo disse...

O caro amigo experimente andar em transportes públicos em hora de ponta e logo vê se tem sequer espaço para abrir o livrito...

ABS disse...

Caro anónimo,
Tenho muitos anos de hora de ponta à moda antiga: daquelas em que a malta vinha à pendura nos comboios e nos eléctricos, e que se atirava contra a massa sólida de pessoas no metro da Rotunda às sete da tarde. Muitas vezes dava para ler; outras não. Nesses anos li, sem exagero, largas dezenas, talvez duas ou três centenas, de livros, nos transportes públicos.

Hoje os transportes são infinitamente mais confortáveis que há trinta e tal anos - os mais novos nem imaginam. Mas livros, isso, nem vê-los. É mais dar ao dedo no telemóvel. E é pena. A desculpa da falta de condições já não pega.

Anónimo disse...

pois eu leio.

El País, mas leio.

lúcia disse...

Em última instância, acho que quem faz as opções são as pessoas.

A 'galeria' está aberta à escolha, mas a cultura de imbecilização utiliza processos quase maquiavélicos e ganha pontos a um ritmo alucinante.
Noto, apesar de tudo, em ambientes que me são familiares, jovens revoltados pelas quantias exorbitantes que vêem gastas nos locais de trabalho a bem dessa 'imposição' de estupidez, outros que moderam naturalmente o tempo utilizado nas enormes possibilibades disponíveis e adolescentes que adormecem com o livro na mão e o telemóvel sem som.

É esperança :)

lúcia (lr) disse...

Pouco clara, como sempre.
Mesmo bombardeados por todos os lados, a opção é das pessoas, certo?

Ricardo disse...

Concordo com tudo. O olhar e o vazio e o desperdiçar tempo são coisas que me causam uma sensação muito forte de estranheza. É sensação ainda é maior quando se pensa naqueles que não lêem e olham o vazio e nem sequer estão sentados num transporte público mas sim e simplesmente num banco de jardim.

E mesmo para os que não têm dinheiro para plasmas e são mesmo pobres: há sempre a feira de Odivelas e outras.

Neste momento leio "A Ilha do Tesouro" do Stevenson. Comprei-a em segunda (ou talvez terceira) mão na feira por um euro...