segunda-feira, 29 de dezembro de 2008


O melhor do fim do ano é que os dias estão, outra vez, a crescer. Por isso, mesmo com frio e chuva, vai haver mais luz daqui até Junho. E a luz faz muita falta.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Uma imperceptível alteração no trânsito sugere que as festas de Natal se aproximam. Apesar de, tecnicamente, ainda faltarem um dez dias, nota-se que já está tudo a fazer contas às rabanadas.
Somos seres de gostos simples. Ou seríamos, se não fosse uma invenção demoníaca chamada marketing.
A resolução da crise económica não está em arranjar comida para todos. Está em esfolarmos voluntariamente a pele para comprar o que, em boa verdade, não passa de lixo inútil. Os políticos chamam às medidas de coerção psicológica para que tal aconteça estimular o consumo.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Os mais novos não imaginam o que é ser velho. É algo que só se entende ao ver o ar de espanto nos olhos dos velhos que, um dia, já foram novos.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

As figuras que mais aparecem hoje nos telejornais: Paulo Bento e Mário Nogueira. Não devem falhar um desde há muito tempo.

Felizmente temos a BBC e a CNN para provar que há vida para além de Portugal.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Parece que a Byblos vai abaixo por falta de clientes, localização, etc.
Sejam quais forem as razões, dói sempre ver fechar uma livraria.

domingo, 16 de novembro de 2008

Novo sistema de música aqui ao lado, em modelo podcast. Cada nova entrada terá provavelmente a ver com cada novo post, mas tem a vantagem de funcionar como arquivo de coisas anteriores.
A música é demasiado importante para ser deixada ao acaso.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Passei hoje algum tempo em transportes públicos. Raramente os uso. Não há mérito nem demérito neste facto, é apenas um facto. Levei um livro e li todo o tempo. Deu para alguns capítulos. À minha volta a esmagadora maioria limitava-se a olhar o vazio. Alguns mais jovem demoliam os tímpanos com phones. Na minha estimativa perdem-se muitos milhões de horas em transportes públicos que poderiam ter um excelente aproveitamento: ler.

A culpa não é toda das pessoas, que a cultura de imbecilização vigente ajuda, e muito. Mas a culpa também é delas.
(E não me digam que é do preço dos livros. Quantos ali dentro terão plasmas em casa? Eu não tenho. Nem lhe sinto a falta).

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Uma profissão bem paga e satisfatória intelectualmente.
Uma profissão mal paga e muitíssimo mais satisfatória intelectualmente.
Impossível conciliar as duas sem comprometer a sanidade mental.
Há escolhas complicadas. Se bem que a crise na banca aponte o caminho racional.
O problema é a provável sobrestimação da racionalidade.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Dois cães. Um dorme e sonha que corre, pelo menos a avaliar pelos movimentos sincopados das patas. O outro chega e tenta colaborar pondo as patas e o focinho no teclado.

O trabalho nocturno não tem de ser sempre solitário.

sábado, 27 de setembro de 2008

Praticamente impossível passar por aqui nos últimos tempos. Falta de tempo, também, mas sobretudo a consciência de que, para escrever algo legível por outros, o que se tem a dizer vale a pena ser lido. E não tenho achado que o que me vem à ideia ou o que vou fazendo mereça divulgação ou comentário, para além da conversa de refeição no círculo familiar. Se calhar são expectativas exageradas e preciso de descontrair. Logo se vê. Entretanto vou passando discos.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

First beam in the LHC - accelerating science

Geneva, 10 September 2008. The first beam in the Large Hadron Collider at CERN1 was successfully steered around the full 27 kilometres of the world’s most powerful particle accelerator at 10h28 this morning. This historic event marks a key moment in the transition from over two decades of preparation to a new era of scientific discovery.

A importância deste momento, apreendida por poucos, só será reconhecida daqui a muito, muito tempo.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Um insecto terá estado na origem do encerramento preventivo dos blocos operatórios do Hospital dos Lusíadas, em Lisboa. Uma precaução desta natureza poderá parecer estranha a olhos mais desavisados. Na verdade revela atenção e rigor, e fica bem aos responsáveis do Hospital. Que outros lhe sigam o exemplo e não tenham medo de actuar quando a segurança dos pacientes se justifique.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

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Vinte anos depois do incêndio do Chiado ouço múltiplos opinadores referindo que o Chiado já não é o que era e que se perdeu o seu espírito. Concordo. O Chiado, hoje, está incomparavelmente melhor que há vinte anos. Excluindo as vidas destruídas e o espólio insubstituível da Valentim de Carvalho, pouco mais se terá perdido de relevante. Arderam sobretudo os Grandes Armazéns do Chiado e o Grandela, duas confrangedoras imitações dos grands magasins franceses: pífios e mofentos, em perfeita degradação à época, se não tivessem ardido teriam acabado tipo Martim Moniz ou vendidos a alguém que os arrasasse por dentro.

Hoje circula-se por um Chiado cuja remodelação apenas pecou pelo arrastar de pés. E os que hoje dizem que o Chiado já não é o que era, dizem-no sobretudo porque, sem darem por isso, envelheceram. Foram ultrapassados pelo tempo, num Chiado no qual já não se reconhecem, onde fazem a sua vida as gerações para quem o incêndio é uma nota de rodapé da História.

sábado, 23 de agosto de 2008

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Tempo de recomeçar os trabalhos de Sísifo.

Os Jogos Olímpicos foram um bom entretenimento - não mais que isso devem ser considerados - e passaram à história, com glória para os vencedores, honra para os vencidos e a ignomínia para os batoteiros que foram apanhados. Os Jogos não são muito importantes: têm nem mais nem menos a importância que lhes atribuirmos.

A morte inesperada e violenta perto de nós é sempre mais pesada que a morte distante, sobretudo se forem brancos, de média burguesia e em férias de Verão, ou seja, aqueles com os quais nos identificamos. Bem diverso da morte de afegãos, indianos, pretos e quase brancos quase pretos de tão pobres, que esses não têm nada a ver connosco. Mas a morte é sempre importante, por definitiva.

Hoje continuamos.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

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As férias são uma necessidade e não um luxo. Não são a diversão por decreto, ou uma qualquer joie de vivre imposta por revistas da moda e cronistas in, de inúteis, que vivem de convencer os outros da existência de uma vida realizada ao virar da esquina ou no destino do próximo voo. Falar de silly season é um erro perigoso: esta é a época em que, exaustas e mortas por fugir para qualquer lado, as pessoas estoiram orçamentos nas maiores atrocidades e cometem os maiores erros dos quais, em Outubro, se arrependem amargamente. As férias não são, ou não deveriam ser, dias e noites a queimar os miolos e o canastro numa correria alucinada a ver quem se divertiu mais. Devem, ou deveriam ser, uma pausa na vida brutal e exigente que levamos, que sempre levámos e que sempre levaremos. Uma reposição nas reservas de capacidade física e de lucidez.

Escrevia há muitos anos Vasco Pulido Valente, uma das cabeças mais lúcidas de que tenho memória, que nunca tinha percebido aquela coisa de “dar praia às crianças”. Subscrevo integralmente. E é também por isso que irei para Norte, esse Norte português assombroso, nesta época povoado por portugueses de torna-viagem, que os outros rumaram, zombificados, para os cemitérios de betão com forro de plástico que cobrem o Algarve.

A quem ficou por aqui, deixo no gira-discos música para fechar os olhos e descansar. Imaginem o fundo do mar. É mais real este mar que aquele que vendem as agências de viagem.

Até daqui a duas semanas.

sábado, 26 de julho de 2008

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Nota ao post anterior: não tenciono pôr nenhuma música deste disco no gira-discos aqui ao lado, pelo menos durante muito tempo. Comprem-no, que o músico merece.