quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
Bad Science - Revisão de 2010

Sensacional revisão da pseudociência e outras tretas no Reino Unido. Pode ser lida no blog do Ben Goldacre ou no Guardian, conforme os gostos. Links em abundância. Diversão e muita aprendizagem garantida.
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
domingo, 14 de novembro de 2010
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
No Expresso deste fim de semana, um qualquer jovem techno-geek dizia qualquer coisa como "quem não está no Facebook não existe", ou algo assim. Esta dicotomia é curiosa, e muitos hão-de arengar sobre ela. Quanto ao techno-geek, esse, apenas me dá pena, coitado. Sofre de cegueira selectiva, uma doença nem sempre tratável, sobretudo quando o paciente não se quer tratar.
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
João Lóio
Num tempo de imbecilidade avulsas em MySpaces , Youtubes e que tais, ouvir João Lóio devia fazer parte do programa da escola primária.
Não dou links. Procurem-no, se acham que o merecem.
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Sei que tenho andado muito calado. A verdade é que não me apetece escrever. Nada do que vejo ou ouço parece justificar o trabalho. Ainda ontem via na televisão uns políticos com ar muito emocionado a darem abraços uns aos outros e tudo aquilo me parecia uma confrangedora encenação, um circo pobre e decadente de um bando de desgraçados a tentarem dar a ideia de que o que fazem importa.
Percebi entretanto que a música aqui ao lado terá crashado. A ver se cuido disto um dia destes. A hora, agora, é de trabalho.
sexta-feira, 2 de julho de 2010
terça-feira, 29 de junho de 2010
"If you think research is expensive, try disease."
Mary Lasker (1900-1994)
Com o meu agradecimento ao PG pela referência.
sexta-feira, 25 de junho de 2010
Vou mudar de opinião sobre o futebol, nomeadamente sobre os jogos da selecção nacional. Devia haver mais. Deviam, sobretudo, decorrer quando preciso me deslocar de automóvel, em Lisboa. Por exemplo, às sextas feiras. Parecia domingo à tarde. Daqueles domingos paradinhos. Circulei como há muito não circulava. Que beleza...
quarta-feira, 23 de junho de 2010
Da música
Nova jukebox.
Nunca uma jukebox poderá transmitir mais que uma pálida ideia da música. Mas é preferível essa pálida ideia ao silêncio.
domingo, 20 de junho de 2010
Saramago e bola
O país continua igual a si próprio. Homenageia o escritor, não porque o tenha lido mas porque ganhou um prémio importante que fica bem ao país por arrasto. Mas quem o ganhou foi ele, convém lembrar. Intervalo na bola, assim, para a cremação. Amanhã há mais bola e mais vuvuzelas e Saramago vai para a prateleira das glórias.
Venha o senhor que se segue. Provavelmente uma mistura de Mia Couto e de Cristiano Ronaldo. Ou de Agualusa e Deco. Ou de Pepetela e José Mourinho. Desde que falem português, a Pátria está salva. Mesmo que bata no fundo.
Café

- É mais barata que a Nespresso.
- O café é bom.
- O café está à venda em múltiplos locais, ao contrário da Nespresso, apostada na parolice dos locais "exclusivos" tipo loja na Baixa e excelente para novos-ricos embasbacados.
- É um produto português - não se fala de combater a crise cá dentro? - produzido por uma empresa portuguesa.
O resto é marketing.
quarta-feira, 16 de junho de 2010
O empate de Portugal frente à Costa do Marfim abre excelentes perspectivas à eliminação de Portugal do mundial de jogo da bola. Poderemos assim voltar à vida normal, sem o barulho infernal das vuvuzelas a atazanar-nos os ouvidos.
Patriotismo, hoje, é trabalhar em prol do país. O resto são actividades para crianças, das pouco dotadas.
terça-feira, 18 de maio de 2010
domingo, 16 de maio de 2010
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Homeopatia - placebo, obscurantismo e iliteracia científica
O Science & Technology Committee do Parlamento britânico publicou ontem uma recomendação demolidora sobre a homeopatia no Reino Unido. Da nota de imprensa:
In a report published today, the Science and Technology Committee concludes that the NHS should cease funding homeopathy. It also concludes that the Medicines and Healthcare products Regulatory Agency (MHRA) should not allow homeopathic product labels to make medical claims without evidence of efficacy. As they are not medicines, homeopathic products should no longer be licensed by the MHRA.
Nota de imprensa e recomendação podem ser lidas a partir daqui. À melhor atenção das nossas autoridades de saúde, que andam a ser literalmente enroladas numa tentativa de regulamentação da charlatanice que a legitime perante a sociedade.
In a report published today, the Science and Technology Committee concludes that the NHS should cease funding homeopathy. It also concludes that the Medicines and Healthcare products Regulatory Agency (MHRA) should not allow homeopathic product labels to make medical claims without evidence of efficacy. As they are not medicines, homeopathic products should no longer be licensed by the MHRA.
Nota de imprensa e recomendação podem ser lidas a partir daqui. À melhor atenção das nossas autoridades de saúde, que andam a ser literalmente enroladas numa tentativa de regulamentação da charlatanice que a legitime perante a sociedade.
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
From Fish to Infinity
Se é daquelas pessoas para quem a matemática é um universo apenas acessível a umas criaturas estranhas, uma linguagem criptográfica indecifrável, um exercício que, ao ser observado no papel, provoca tonturas e uma vontade irreprimível de fugir, então esta série de artigos é para si. O matemático e colunista Steven Strogatz inaugura hoje no The New York Times uma série de artigos sobre os conceitos essenciais da matemática, começando no jardim-escola e indo por aí fora.
O primeiro exemplo começa com a Rua Sésamo - melhor seria impossível. Tem é de saber inglês. Pode ser que Nuno Crato se lembre de fazer qualquer coisa parecida entre nós, a juntar ao muito que tem feito.
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
Disparates
No I de ontem, uma "notícia" sobre o dia mais deprimente do ano, a acreditar numa fórmula matemática elaborada por um investigador britânico. A notícia do I resultou da leitura e aproveitamento de uma outra publicada no Daily Telegraph, igualmente de ontem, que é citada no artigo português.
Azar. Ben Goldacre referiu-se a esta "fórmula" há cerca de um ano. Pelos vistos começou por ser um estratagema de uma agência de viagens até que uns inteligentes resolveram disseminar a coisa como verdade científica. E o I enfiou o barrete, requentado de mais de um ano, e publicou-o.
Este tipo de notícias, em que se disseminam disparates sob a capa de uma pretensa análise científica, apenas contribui para a iliteracia da população. Transcrevo o último parágrafo do texto de Ben Goldacre sobre o assunto:
Making stupid stuff up about the most depressing day of the year, on the other hand, doesn’t help anyone, because bullshit presented as fact is simply disempowering.
domingo, 17 de janeiro de 2010
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Reflexões de um facultativo de bairro
A semana passada foi diabólica. Surgiam de todo o lado - eram sobretudo os vírus avulsos, mais ou menos gripais - pedindo mezinhas, alívios, descansos, consolos. Tal como os crónicos para revisão, qual inspecção do carro, pagamento de impostos, renovação de certificados. Várias renovações de certificados também, sim.
E olho para a agenda desta semana: dezenas de buracos. Um dia, sexta feira próxima, com zero marcações.
Mais vírus, ansiedades, aleijões, sustos, tensões, corações palpitantes, açúcares variáveis, outros certificados e afins hão-de encher isto, que a natureza tem horror ao vazio nas agendas. Não deixa contudo de ser interessante observar estes movimentos de gente. Como as marés, mas com uma respiração própria e, mais das vezes, imprevisível.
E olho para a agenda desta semana: dezenas de buracos. Um dia, sexta feira próxima, com zero marcações.
Mais vírus, ansiedades, aleijões, sustos, tensões, corações palpitantes, açúcares variáveis, outros certificados e afins hão-de encher isto, que a natureza tem horror ao vazio nas agendas. Não deixa contudo de ser interessante observar estes movimentos de gente. Como as marés, mas com uma respiração própria e, mais das vezes, imprevisível.
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
2010
Passado que foi aquele ligeiro frenesi expectante de que tudo poderia mudar com a mudança do calendário, voltamos à nossa rotina diária.
No meio do temporal, de repente, o sol desponta. Ah, sim: por volta das sete e dez da manhã já não é completamente de noite. Um bom pensamento para começar um mês sem feriados e com as primeiras depressões pós-festivas a surgirem no horizonte próximo.
E ainda agora estamos a começar o ano.
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
domingo, 6 de dezembro de 2009
Prendas de Natal

Aqui está ele: traduzido em português pela Bizâncio, o livro "Bad Science", de Ben Goldacre, é, como referi antes, leitura absolutamente obrigatória. Contra o obscurantismo, pela literacia científica, pela capacitação dos cidadãos (detesto a palavra "empoderamento", mas lá terá que ser...).
Não é só para cientistas. É sobretudo para não cientistas, seja qual for a sua formação ou área de actividade. É claro e directo, didáctico e profundo. Não trata o leitor com complacência e obriga-o a pensar - eventualmente obrigará alguns a decidir. E este livro é importante porque é de decisões esclarecidas que falamos.
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Cancro da mama: prevenir nem sempre é melhor que remediar
A United States Preventive Health Services Task Force (USPSTF) veio a público recomendar o que já há muito era apontado pela literatura científica: que nem o auto-exame da mama (em qualquer idade) nem as mamografias de rotina antes dos 50 anos são úteis para redução da mortalidade por cancro da mama: pelo contrário, dado que apresentam uma elevada tax de achado de lesões benignas, sem qualquer importância, desencadeiam ansiedade escusada e aumento do número de intervenções desnecessárias.
Alguns especialistas e organizações ligadas ao cancro contestam estes dados. Compreende-se. Quando se vive imerso num problema esse problema ganha a dimensão do mundo. É essa a enorme vantagem de estruturas como a USPSTF – mantendo uma visão crítica e distanciada conseguem avaliar com maior rigor a evidência científica disponível e, a partir daí, emitir recomendações cientificamente sólidas e no melhor interesse das pessoas. E essas recomendações apontam, por vezes, ao arrepio do que o senso comum ditaria. Nem sempre é melhor prevenir.
Alguns especialistas e organizações ligadas ao cancro contestam estes dados. Compreende-se. Quando se vive imerso num problema esse problema ganha a dimensão do mundo. É essa a enorme vantagem de estruturas como a USPSTF – mantendo uma visão crítica e distanciada conseguem avaliar com maior rigor a evidência científica disponível e, a partir daí, emitir recomendações cientificamente sólidas e no melhor interesse das pessoas. E essas recomendações apontam, por vezes, ao arrepio do que o senso comum ditaria. Nem sempre é melhor prevenir.
sábado, 14 de novembro de 2009
H1N1
Para que não haja dúvidas: vou-me vacinar. A demonstração de que a vacina é útil e importante está feita. O resto é crendice, superstição, ignorância e astrologia.
Não se trata de arrogância. Trata-se de saber, neste caso, quem tem razão e quem não tem.
Aditamento em 19/11: Parece que não sou o único a pensar assim.
domingo, 8 de novembro de 2009
Revolução
Sweeping Health Care Plan Passes House
By CARL HULSE and ROBERT PEAR
WASHINGTON — Handing President Obama a hard-fought victory, the House narrowly approved a sweeping overhaul of the nation’s health care system on Saturday night, advancing legislation that Democrats said could stand as their defining social policy achievement.
É apenas o começo. E muito caminho para andar. Finalmente.
By CARL HULSE and ROBERT PEAR
WASHINGTON — Handing President Obama a hard-fought victory, the House narrowly approved a sweeping overhaul of the nation’s health care system on Saturday night, advancing legislation that Democrats said could stand as their defining social policy achievement.
É apenas o começo. E muito caminho para andar. Finalmente.
terça-feira, 3 de novembro de 2009
A música, essa, continua.
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Assassinos em massa

Há por esse mundo fora umas pseudo-virgens politicamente correctas ofendidas pela nova campanha alemã de luta contra a infecção pelo VIH. Argumentam que com isso se demoniza os seropositivos.
Curiosamente quando vi o spot pela primeira vez o que me veio à ideia foi a personificação do vírus num genocida, e não a imagem do seropositivo anónimo. Contudo, gostando-se ou não, ter sexo desprotegido com um seropositivo pode matar. Há alguma dúvida? Não é a pessoa que está em causa: é a doença mortal que pode transmitir.
E está tudo a falar do assunto. Óptimo. Nunca é demais.
domingo, 6 de setembro de 2009
sábado, 29 de agosto de 2009
O outro lado
Não tenho Twitter.
Não tenho Facebook.
Não tenho Hi5.
Não tenho avatar no Second Life.
E há quem tenha isso tudo. Coitados.
Não tenho Facebook.
Não tenho Hi5.
Não tenho avatar no Second Life.
E há quem tenha isso tudo. Coitados.
terça-feira, 25 de agosto de 2009
Cinco minutos de jazz

Depois da edição "em fascículos", à venda desde o início de Agosto a colectânea "Cinco minutos de jazz", comemorativa dos quarenta anos do programa de José Duarte (que, na verdade, se comemoraram em 2006, mas cá na terra é assim). O quádruplo CD está à venda nos sítios do costume por um preço ridículo. Quarenta músicas do melhor que há, produzidas entre 1917 e 1955. Esgotou a primeira edição, já vai pelo menos na segunda. Quem não comprar não sabe o que perde.
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
SAG

A gripe é maçadora, mas pouco relevante. Está a servir para vender jornais e manter o povo distraído. Nada como poeira nos olhos. Sim, pode ser perigosa. Os acidentes na estrada são bem piores. E muitas outras coisas. Enfim, é um bom treino para quando houver uma epidemia de qualquer coisa verdadeiramente perigosa. Felizmente parece que ainda não vai ser desta.
segunda-feira, 20 de julho de 2009
domingo, 19 de julho de 2009
Patrick Holford em Portugal
No mesmo Expresso que publica o excelente Nuno Crato, responsável por um dos mais consistentes combates pela literacia científica no nosso país, surge uma peça baseada no livro de Patrick Holford Optimum Nutrition for Your Child: Maximise Your Child's Potential: How to Boost Your Child's Health, Behaviour and IQ, que cá sai traduzido com o muito mais directo título Alimentação ideal para crianças inteligentes. (Na Única de ontem).
Holford é muito conhecido no Reino Unido, tendo publicado uma profusão de livros sobre alimentação e temas variados de auto-ajuda, sendo figura habitual nos media britânicos.
Sobre as teorias defendidas na peça do Expresso e no livro, vale a pena ler o que diz sobre o assunto David Colquhoun no seu sítio DC's Improbable Science, bem como seguir os seguintes sítios:
Holford é muito conhecido no Reino Unido, tendo publicado uma profusão de livros sobre alimentação e temas variados de auto-ajuda, sendo figura habitual nos media britânicos.
Sobre as teorias defendidas na peça do Expresso e no livro, vale a pena ler o que diz sobre o assunto David Colquhoun no seu sítio DC's Improbable Science, bem como seguir os seguintes sítios:
http://holfordwatch.info/
Desta, em particular, vale a pena ler a secção sobre mitos
de algum modo repetida neste sítio específico:
http://holfordmyths.org/
O livro de Ben Goldacre Bad Science dedica algum espaço a esta figura.
Numa flash interview que acompanha a peça do Expresso, afirma Holford, mesmo no final: "O suplemento de gordura essencial e de multivitaminas que uma criança precisa custa o mesmo que um cigarro". Patrick Holford está há muito ligado ao negócio da venda de suplementos vitamínicos.
Precisamos tanto dos livros deste senhor e dos suplementos por ele propagandeados como de uma praga de piolhos.
terça-feira, 30 de junho de 2009
sábado, 27 de junho de 2009
Bad Science - precisamos deste livro

Ben Goldacre é médico e colunista no The Guardian. Dedica-se, desde há alguns anos, a tentar elevar o nível de literacia científica do Reino Unido, tanto através da exposição acessível de noções elementares sobre o processo científico como através da desmontagem de fraudes, fantasias e pseudo-ciência em geral em que o factor comum é a manipulação do público para fins comerciais. Há cerca um ano publicou "Bad Science", com uma reedição este ano que inclui um capítulo então retido por ordem judicial (os visados, aparentemente, não gostavam do que era dito sobre eles. O texto integral desse capítulo está aqui).
Têm sido publicados ao longo dos anos excelentes livros sobre pseudo-ciência, medicinas alternativas, homeopatias, dietas sem fundamento, desintoxicações e depurações fictícias, agulhas e alfinetes e actividades correlatas. Este é o primeiro livro que, de uma forma estruturada, não só desmonta as falácias subjacentes a estas práticas como explica, de modo fundamentado e acessível, os mecanismos que levam a mente humana a deixar-se seduzir por tais irracionalidades, convicta, contudo, de que está a efectuar as escolhas certas. E não se fica por aqui: Goldacre explica em palavras simples como funciona o método científico, desmistificando a noção de que a ciência é uma actividade muito complexa, acessível apenas a mentes iluminadas. Desenvolvendo ele próprio actividade jornalística, Goldacre é ainda impiedoso para com o mau jornalismo científico, dando exemplos de situações em que esse jornalismo teve consequências para a população, quer em termos de ansiedade desnecessária, quer em termos de aumento objectivo de casos de doença.
Quem quiser ler o livro no original pode comprá-lo nos sítios online habituais. Enquanto esperam podem ler o Bad Science Manifesto. Pela minha parte, vou escrever à Gradiva, que será um dia reconhecida pelo contributo que há anos dá para a literacia científica nacional, para que traduza o livro urgentemente.
Têm sido publicados ao longo dos anos excelentes livros sobre pseudo-ciência, medicinas alternativas, homeopatias, dietas sem fundamento, desintoxicações e depurações fictícias, agulhas e alfinetes e actividades correlatas. Este é o primeiro livro que, de uma forma estruturada, não só desmonta as falácias subjacentes a estas práticas como explica, de modo fundamentado e acessível, os mecanismos que levam a mente humana a deixar-se seduzir por tais irracionalidades, convicta, contudo, de que está a efectuar as escolhas certas. E não se fica por aqui: Goldacre explica em palavras simples como funciona o método científico, desmistificando a noção de que a ciência é uma actividade muito complexa, acessível apenas a mentes iluminadas. Desenvolvendo ele próprio actividade jornalística, Goldacre é ainda impiedoso para com o mau jornalismo científico, dando exemplos de situações em que esse jornalismo teve consequências para a população, quer em termos de ansiedade desnecessária, quer em termos de aumento objectivo de casos de doença.
Quem quiser ler o livro no original pode comprá-lo nos sítios online habituais. Enquanto esperam podem ler o Bad Science Manifesto. Pela minha parte, vou escrever à Gradiva, que será um dia reconhecida pelo contributo que há anos dá para a literacia científica nacional, para que traduza o livro urgentemente.
quinta-feira, 18 de junho de 2009
Agora é que percebeu?
O Primeiro Ministro admitiu a exiguidade do orçamento para a cultura. Tardiamente, convenhamos. Naturalmente haverá muitos a puxar a brasa à sua sardinha favorita assinalando as falhas maiores. Para mim o criminoso afastamento de Paolo Pinamonti da Direcção do S. Carlos foi a que mais doeu, ainda por cima com a desgraça de temporadas que se lhe seguiram.
Sejamos optimistas. Como pior era difícil, probabilisticamente os tempos melhores deverão seguir-se.
(É mentira, claro. Podem piorar, e muito.)
Sejamos optimistas. Como pior era difícil, probabilisticamente os tempos melhores deverão seguir-se.
(É mentira, claro. Podem piorar, e muito.)
domingo, 14 de junho de 2009
sábado, 13 de junho de 2009
Da miséria que bate à porta
Isto é incrível, não é? Que cada um pense no que pode fazer para que isto não aconteça. E faça.
sexta-feira, 12 de junho de 2009
Da importância do exemplo
Não usemos os nossos heróis para nos desculpar. Usemo-los como exemplos.
António Barreto, nas comemorações do 10 de Junho.
António Barreto, nas comemorações do 10 de Junho.
sexta-feira, 5 de junho de 2009
Voo 447
Um arrepio fininho na espinha. Podíamos ter sido nós.
Segue-se a tentativa de distanciamento. Não há-de ser nada quando formos nós a voar.
O murro na alma dos que hoje choram deixará marcas definitivas. Não se sobrevive impunemente.
Segue-se a tentativa de distanciamento. Não há-de ser nada quando formos nós a voar.
O murro na alma dos que hoje choram deixará marcas definitivas. Não se sobrevive impunemente.
segunda-feira, 1 de junho de 2009
segunda-feira, 11 de maio de 2009
Das alfaces e outros vegetais
Uma chuva morna e regular inunda o tempo, os campos e as estradas, com a costumeira colheita de pára-choques amolgados. Aqui no posto de escuta reduz-se o movimento, ainda que vários dos indefectíveis não deixem de aparecer. Raros casos de neurose suína, felizmente, muito raros mesmo. Parece haver algum bom senso no ar, ao contrário de outros momentos de insanidade colectiva. A denominada crise parece também estar a incutir algum cuidado, uma certa falta de euforia, que apenas se continua a manifestar, imperturbável, no pseudo-entusiasmo histérico dos apresentadores dos programas das manhãs e tardes televisivas.
As alfaces, entretanto, vão sendo regadas. As barragens vão enchendo. Espero que as flores de cerejeira já estejam para lá da fase em que a chuva arruina a cereja. Já não vejo a Gardunha há demasiado tempo.
sexta-feira, 8 de maio de 2009
terça-feira, 5 de maio de 2009
Vasco Granja 1925-2009

Fica na nossa memória - pelo menos daqueles para quem o cinema de animação e a banda desenhada podem ser formas superiores de arte.
sexta-feira, 24 de abril de 2009
quinta-feira, 16 de abril de 2009
sábado, 11 de abril de 2009
domingo, 5 de abril de 2009
quarta-feira, 18 de março de 2009
Em Aveiro uma criança morreu e os pais vivem hoje o Inferno na Terra. Perceber, mais que condenar, é preciso. Um texto notável de Gene Weingarten, publicado no Washington Post, foi muito oportunamente traduzido pelo Público. Merece toda a divulgação possível: pela atitude, pela extensão da investigação, pela apresentação de múltiplos pontos de vista, por conseguir uma visão global de uma tragédia indizível. E, sobretudo, por permitir perceber que, para além do horror, viver é possível.
sexta-feira, 13 de março de 2009
A WWW faz vinte anos

Esquema da proposta original, aqui.
Obrigado a Tim Berners-Lee por ter contribuído para um mundo melhor.
sábado, 28 de fevereiro de 2009
Vamos ter os Oasis em Portugal. Não estou impressionado. Banda chata, monótona, sem chama apesar das fitas recorrentes. Para complicar tiveram o azar de aparecer mais ou menos na mesma altura dos Radiohead e dos Blur, o que só ajudou a perceber onde se encontra o verdadeiro talento e onde está a palha. A minha consolação está em saber quem será ouvido daqui a vinte anos.
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
Disease mongering

Retirado daqui.
Agora que se inicia a campanha para deixar toda a gente, como de costume, morta de medo, de modo a que o governo não tenha a coragem de recusar a comparticipação da vacina contra o rotavírus (tal como aconteceu recentemente com a vacina contra o HPV) deixo alguns links sobre o que é hoje conhecido na comunidade internacional como disease mongering:
A definição na Wikipedia,
um conjunto de artigos sobre o assunto, e
dois textos de um dos mais lúcidos médicos e pensadores de Espanha sobre a vacina contra o HPV, aqui e aqui. O tema, aliás, tem sido pegado recorrentemente pelo MEMI.
Agora que se inicia a campanha para deixar toda a gente, como de costume, morta de medo, de modo a que o governo não tenha a coragem de recusar a comparticipação da vacina contra o rotavírus (tal como aconteceu recentemente com a vacina contra o HPV) deixo alguns links sobre o que é hoje conhecido na comunidade internacional como disease mongering:
A definição na Wikipedia,
um conjunto de artigos sobre o assunto, e
dois textos de um dos mais lúcidos médicos e pensadores de Espanha sobre a vacina contra o HPV, aqui e aqui. O tema, aliás, tem sido pegado recorrentemente pelo MEMI.
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
A música vinda de dentro
Os Tindersticks voltaram a tocar em Lisboa. Não fui vê-los, mas bons amigos que lá estiveram fizeram-me o favor de me trazer um CD à venda lá - o mesmo concerto, gravado ao vivo, em Glasgow, no dia 5 de Outubro de 2008. Na jukebox aqui do lado fica o princípio do concerto. Não conhecer esta música é perder o espírito do tempo que vale a pena.
Obrigado, G e B.
Obrigado, G e B.
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
domingo, 1 de fevereiro de 2009
domingo, 25 de janeiro de 2009
The International Normalized Ratio after 2 Warfarin Doses
Parece que vai haver mais dinheiro para a ciência. É bom, mas continua a ser miseravelmente pouco em vista dos disparates que por aí se preparam.
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
Não me consta que haja TGV na Noruega. Nem serão, provavelmente, organizadores de nenhum campeonato mundial de futebol. Invejo-os.
A tacanhez mental deste país deixa-me, por vezes, siderado. Não sei se é de estarmos mesmo nas berças da Europa, longe de tudo o que é civilizado, ou se é uma questão de Sul cultural. A verdade é que cada vez tenho menos paciência para estes primatas engravatados que nos entram casa dentro nos telejornais, com ar grave e a lentidão de quem profere pensamentos profundos - e que mais não fazem que balbuciar inanidades, devagarinho para poderem soletrar as ideias indigentes que produzem.
A minha primeira proposta política: a extinção imediata, sem indemnização para ninguém, da Federação Portuguesa de Futebol. Todos, imediatamente, para a rua. Não quero o dinheiro dos meus impostos gasto nesta alarvidade. Já chega.
A tacanhez mental deste país deixa-me, por vezes, siderado. Não sei se é de estarmos mesmo nas berças da Europa, longe de tudo o que é civilizado, ou se é uma questão de Sul cultural. A verdade é que cada vez tenho menos paciência para estes primatas engravatados que nos entram casa dentro nos telejornais, com ar grave e a lentidão de quem profere pensamentos profundos - e que mais não fazem que balbuciar inanidades, devagarinho para poderem soletrar as ideias indigentes que produzem.
A minha primeira proposta política: a extinção imediata, sem indemnização para ninguém, da Federação Portuguesa de Futebol. Todos, imediatamente, para a rua. Não quero o dinheiro dos meus impostos gasto nesta alarvidade. Já chega.
sábado, 10 de janeiro de 2009

O país inteiro bate o dente e os telejornais abrem com os camiões encravados na IP4. Atiram-se bolas de neve de um lado para o outro. E, contudo, esta neve é risível por comparação com os países onde neva a sério.
Precisamos mesmo é de mudanças para nos sentirmos bem.
Austrália ou Havai eram duas boas hipóteses.
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
domingo, 4 de janeiro de 2009
Ela anda aí
Gráfico consultável no sítio dos Médicos-Sentinela, aqui.
A gripe aí está. Vírus Influenza A, estirpe H3N2. Bicho conhecido, faz parte da vacina que foi dada nesta época, pelo que quem a tomou está safo ou, na pior das hipóteses, passará com uma gripe atenuada.
De recordar, contudo, que as constipações são causadas por mais que muitos vírus - e aí a vacina não tem efeito, que constipações e gripe não são a mesma coisa.
Dito isto, paracetamol, muitos líquidos, mezinhas domésticas a gosto e vapor de água. E repouso, que o vírus adora músculos e deixa os ditos em mau estado. E, por favor, NÃO TOMEM ANTIBIÓTICOS PARA TRATAR A GRIPE!
segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
Uma imperceptível alteração no trânsito sugere que as festas de Natal se aproximam. Apesar de, tecnicamente, ainda faltarem um dez dias, nota-se que já está tudo a fazer contas às rabanadas.
Somos seres de gostos simples. Ou seríamos, se não fosse uma invenção demoníaca chamada marketing.
A resolução da crise económica não está em arranjar comida para todos. Está em esfolarmos voluntariamente a pele para comprar o que, em boa verdade, não passa de lixo inútil. Os políticos chamam às medidas de coerção psicológica para que tal aconteça estimular o consumo.
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
domingo, 16 de novembro de 2008
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
Passei hoje algum tempo em transportes públicos. Raramente os uso. Não há mérito nem demérito neste facto, é apenas um facto. Levei um livro e li todo o tempo. Deu para alguns capítulos. À minha volta a esmagadora maioria limitava-se a olhar o vazio. Alguns mais jovem demoliam os tímpanos com phones. Na minha estimativa perdem-se muitos milhões de horas em transportes públicos que poderiam ter um excelente aproveitamento: ler.
A culpa não é toda das pessoas, que a cultura de imbecilização vigente ajuda, e muito. Mas a culpa também é delas.
(E não me digam que é do preço dos livros. Quantos ali dentro terão plasmas em casa? Eu não tenho. Nem lhe sinto a falta).
A culpa não é toda das pessoas, que a cultura de imbecilização vigente ajuda, e muito. Mas a culpa também é delas.
(E não me digam que é do preço dos livros. Quantos ali dentro terão plasmas em casa? Eu não tenho. Nem lhe sinto a falta).
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
Uma profissão bem paga e satisfatória intelectualmente.
Uma profissão mal paga e muitíssimo mais satisfatória intelectualmente.
Impossível conciliar as duas sem comprometer a sanidade mental.
Há escolhas complicadas. Se bem que a crise na banca aponte o caminho racional.
O problema é a provável sobrestimação da racionalidade.
Uma profissão mal paga e muitíssimo mais satisfatória intelectualmente.
Impossível conciliar as duas sem comprometer a sanidade mental.
Há escolhas complicadas. Se bem que a crise na banca aponte o caminho racional.
O problema é a provável sobrestimação da racionalidade.
terça-feira, 7 de outubro de 2008
sábado, 27 de setembro de 2008
Praticamente impossível passar por aqui nos últimos tempos. Falta de tempo, também, mas sobretudo a consciência de que, para escrever algo legível por outros, o que se tem a dizer vale a pena ser lido. E não tenho achado que o que me vem à ideia ou o que vou fazendo mereça divulgação ou comentário, para além da conversa de refeição no círculo familiar. Se calhar são expectativas exageradas e preciso de descontrair. Logo se vê. Entretanto vou passando discos.
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
First beam in the LHC - accelerating science
Geneva, 10 September 2008. The first beam in the Large Hadron Collider at CERN1 was successfully steered around the full 27 kilometres of the world’s most powerful particle accelerator at 10h28 this morning. This historic event marks a key moment in the transition from over two decades of preparation to a new era of scientific discovery.
A importância deste momento, apreendida por poucos, só será reconhecida daqui a muito, muito tempo.
segunda-feira, 1 de setembro de 2008
quinta-feira, 28 de agosto de 2008
Um insecto terá estado na origem do encerramento preventivo dos blocos operatórios do Hospital dos Lusíadas, em Lisboa. Uma precaução desta natureza poderá parecer estranha a olhos mais desavisados. Na verdade revela atenção e rigor, e fica bem aos responsáveis do Hospital. Que outros lhe sigam o exemplo e não tenham medo de actuar quando a segurança dos pacientes se justifique.
segunda-feira, 25 de agosto de 2008
Vinte anos depois do incêndio do Chiado ouço múltiplos opinadores referindo que o Chiado já não é o que era e que se perdeu o seu espírito. Concordo. O Chiado, hoje, está incomparavelmente melhor que há vinte anos. Excluindo as vidas destruídas e o espólio insubstituível da Valentim de Carvalho, pouco mais se terá perdido de relevante. Arderam sobretudo os Grandes Armazéns do Chiado e o Grandela, duas confrangedoras imitações dos grands magasins franceses: pífios e mofentos, em perfeita degradação à época, se não tivessem ardido teriam acabado tipo Martim Moniz ou vendidos a alguém que os arrasasse por dentro.
Hoje circula-se por um Chiado cuja remodelação apenas pecou pelo arrastar de pés. E os que hoje dizem que o Chiado já não é o que era, dizem-no sobretudo porque, sem darem por isso, envelheceram. Foram ultrapassados pelo tempo, num Chiado no qual já não se reconhecem, onde fazem a sua vida as gerações para quem o incêndio é uma nota de rodapé da História.
sábado, 23 de agosto de 2008
Tempo de recomeçar os trabalhos de Sísifo.
Os Jogos Olímpicos foram um bom entretenimento - não mais que isso devem ser considerados - e passaram à história, com glória para os vencedores, honra para os vencidos e a ignomínia para os batoteiros que foram apanhados. Os Jogos não são muito importantes: têm nem mais nem menos a importância que lhes atribuirmos.
A morte inesperada e violenta perto de nós é sempre mais pesada que a morte distante, sobretudo se forem brancos, de média burguesia e em férias de Verão, ou seja, aqueles com os quais nos identificamos. Bem diverso da morte de afegãos, indianos, pretos e quase brancos quase pretos de tão pobres, que esses não têm nada a ver connosco. Mas a morte é sempre importante, por definitiva.
Hoje continuamos.
quinta-feira, 31 de julho de 2008
As férias são uma necessidade e não um luxo. Não são a diversão por decreto, ou uma qualquer joie de vivre imposta por revistas da moda e cronistas in, de inúteis, que vivem de convencer os outros da existência de uma vida realizada ao virar da esquina ou no destino do próximo voo. Falar de silly season é um erro perigoso: esta é a época em que, exaustas e mortas por fugir para qualquer lado, as pessoas estoiram orçamentos nas maiores atrocidades e cometem os maiores erros dos quais, em Outubro, se arrependem amargamente. As férias não são, ou não deveriam ser, dias e noites a queimar os miolos e o canastro numa correria alucinada a ver quem se divertiu mais. Devem, ou deveriam ser, uma pausa na vida brutal e exigente que levamos, que sempre levámos e que sempre levaremos. Uma reposição nas reservas de capacidade física e de lucidez.
Escrevia há muitos anos Vasco Pulido Valente, uma das cabeças mais lúcidas de que tenho memória, que nunca tinha percebido aquela coisa de “dar praia às crianças”. Subscrevo integralmente. E é também por isso que irei para Norte, esse Norte português assombroso, nesta época povoado por portugueses de torna-viagem, que os outros rumaram, zombificados, para os cemitérios de betão com forro de plástico que cobrem o Algarve.
A quem ficou por aqui, deixo no gira-discos música para fechar os olhos e descansar. Imaginem o fundo do mar. É mais real este mar que aquele que vendem as agências de viagem.
Até daqui a duas semanas.
Escrevia há muitos anos Vasco Pulido Valente, uma das cabeças mais lúcidas de que tenho memória, que nunca tinha percebido aquela coisa de “dar praia às crianças”. Subscrevo integralmente. E é também por isso que irei para Norte, esse Norte português assombroso, nesta época povoado por portugueses de torna-viagem, que os outros rumaram, zombificados, para os cemitérios de betão com forro de plástico que cobrem o Algarve.
A quem ficou por aqui, deixo no gira-discos música para fechar os olhos e descansar. Imaginem o fundo do mar. É mais real este mar que aquele que vendem as agências de viagem.
Até daqui a duas semanas.
sábado, 26 de julho de 2008
Randy Pausch morreu ontem. A sua lição fica para a história. Obrigatório ver, reflectir e transmitir.
quarta-feira, 23 de julho de 2008
domingo, 20 de julho de 2008
Foto: Isabel Pinto
Quando fui à procura do duplo CD de António Pinho Vargas - Solo - à FNAC, no fim de semana de lançamento, estava esgotado. Consegui tê-lo alguns dias depois. Escutá-lo foi voltar a uma casa nunca esquecida e guardada na memória.
Pinho Vargas não perdeu tempo durante estes anos. Compôs e estudou. Estudou muito. Voltar a tocar estas peças, hoje, reflecte esse amadurecimento. Nota-se no despojamento e simplicidade conseguida. Nota-se muito bem na noção dos limites. Pinho Vargas sabe até onde pode ir, nomeadamente quando improvisa. Sabe que raramente existem obras acabadas, daí intitular os discos "Imperfeições". E sabemos nós que as obras imperfeitas podem ser belas, como estas peças são - incrivelmente belas.
Recordo o concerto dado por Pinho Vargas na Culturgest há uns anos para comemorar, salvo erro, uns vinte e cinco anos de carreira. No momento mais esperado, a peça Tom Waits, o acompanhamento reduziu-se a Rui Júnior, descalço, acompanhando a peça com uma pequena caixa de areia.
Neste disco nada mais há que Pinho Vargas e um piano. Os temas surgem límpidos; os improvisos, contidos. Pinho Vargas sabe que Keith Jarrett há apenas um e, evocando esse estilo, não insiste excessivamente. Nem precisa.
Neste disco nada mais há que Pinho Vargas e um piano. Os temas surgem límpidos; os improvisos, contidos. Pinho Vargas sabe que Keith Jarrett há apenas um e, evocando esse estilo, não insiste excessivamente. Nem precisa.
Sabedoria, clareza, contenção. Apenas música, tanto quanto humanamente possível, perfeita.
sexta-feira, 11 de julho de 2008
Governo e PSD andam entretidos a discutir modelos de família. Estão deliciados apesar da irrelevância evidente da discussão - ambos sabem que cada um em sua casa continuará a fazer como lhe aprouver. Enquanto discutem o tema, impantes, passam ao lado daquilo que verdadeiramente conta mas que não têm, nem um nem outro, capacidade de resolver: a economia.
segunda-feira, 7 de julho de 2008
Ontem, Domingo, curta deslocação ao Sul. Sinais dos tempos:
1) Às oito e meia da manhã, monumental fila de carros na 25 de Abril direita à Costa da Caparica. Férias? Pois.
2) Algures por alturas do Alentejo, grande cartaz da Brisa proclamando "VALE DOS PINHEIROS". Até onde a vista alcançava, sobreiros.
1) Às oito e meia da manhã, monumental fila de carros na 25 de Abril direita à Costa da Caparica. Férias? Pois.
2) Algures por alturas do Alentejo, grande cartaz da Brisa proclamando "VALE DOS PINHEIROS". Até onde a vista alcançava, sobreiros.
quinta-feira, 3 de julho de 2008
Fui meter combustível no carro depois das 11 da noite. Bomba completamente cheia de gente, fazendo fila. Não estava previsto aumento à meia noite. Um dia perfeitamente incaracterístico - uma terça feira. Poder-se-ia admitir que é princípio do mês, mas os próprios empregados da etação estavam espantados com aquele afluxo de clientes que, diziam, tinha ocorrido subitamente, sem explicação, sem aviso, sem qualquer fenómeno colectivo que o justificasse.
Caos e complexidade. Quem não compreender estes conceitos ficará muito, cada vez mais, confuso.
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