segunda-feira, 5 de outubro de 2009
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Assassinos em massa

Há por esse mundo fora umas pseudo-virgens politicamente correctas ofendidas pela nova campanha alemã de luta contra a infecção pelo VIH. Argumentam que com isso se demoniza os seropositivos.
Curiosamente quando vi o spot pela primeira vez o que me veio à ideia foi a personificação do vírus num genocida, e não a imagem do seropositivo anónimo. Contudo, gostando-se ou não, ter sexo desprotegido com um seropositivo pode matar. Há alguma dúvida? Não é a pessoa que está em causa: é a doença mortal que pode transmitir.
E está tudo a falar do assunto. Óptimo. Nunca é demais.
domingo, 6 de setembro de 2009
sábado, 29 de agosto de 2009
O outro lado
Não tenho Twitter.
Não tenho Facebook.
Não tenho Hi5.
Não tenho avatar no Second Life.
E há quem tenha isso tudo. Coitados.
Não tenho Facebook.
Não tenho Hi5.
Não tenho avatar no Second Life.
E há quem tenha isso tudo. Coitados.
terça-feira, 25 de agosto de 2009
Cinco minutos de jazz

Depois da edição "em fascículos", à venda desde o início de Agosto a colectânea "Cinco minutos de jazz", comemorativa dos quarenta anos do programa de José Duarte (que, na verdade, se comemoraram em 2006, mas cá na terra é assim). O quádruplo CD está à venda nos sítios do costume por um preço ridículo. Quarenta músicas do melhor que há, produzidas entre 1917 e 1955. Esgotou a primeira edição, já vai pelo menos na segunda. Quem não comprar não sabe o que perde.
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
SAG

A gripe é maçadora, mas pouco relevante. Está a servir para vender jornais e manter o povo distraído. Nada como poeira nos olhos. Sim, pode ser perigosa. Os acidentes na estrada são bem piores. E muitas outras coisas. Enfim, é um bom treino para quando houver uma epidemia de qualquer coisa verdadeiramente perigosa. Felizmente parece que ainda não vai ser desta.
segunda-feira, 20 de julho de 2009
domingo, 19 de julho de 2009
Patrick Holford em Portugal
No mesmo Expresso que publica o excelente Nuno Crato, responsável por um dos mais consistentes combates pela literacia científica no nosso país, surge uma peça baseada no livro de Patrick Holford Optimum Nutrition for Your Child: Maximise Your Child's Potential: How to Boost Your Child's Health, Behaviour and IQ, que cá sai traduzido com o muito mais directo título Alimentação ideal para crianças inteligentes. (Na Única de ontem).
Holford é muito conhecido no Reino Unido, tendo publicado uma profusão de livros sobre alimentação e temas variados de auto-ajuda, sendo figura habitual nos media britânicos.
Sobre as teorias defendidas na peça do Expresso e no livro, vale a pena ler o que diz sobre o assunto David Colquhoun no seu sítio DC's Improbable Science, bem como seguir os seguintes sítios:
Holford é muito conhecido no Reino Unido, tendo publicado uma profusão de livros sobre alimentação e temas variados de auto-ajuda, sendo figura habitual nos media britânicos.
Sobre as teorias defendidas na peça do Expresso e no livro, vale a pena ler o que diz sobre o assunto David Colquhoun no seu sítio DC's Improbable Science, bem como seguir os seguintes sítios:
http://holfordwatch.info/
Desta, em particular, vale a pena ler a secção sobre mitos
de algum modo repetida neste sítio específico:
http://holfordmyths.org/
O livro de Ben Goldacre Bad Science dedica algum espaço a esta figura.
Numa flash interview que acompanha a peça do Expresso, afirma Holford, mesmo no final: "O suplemento de gordura essencial e de multivitaminas que uma criança precisa custa o mesmo que um cigarro". Patrick Holford está há muito ligado ao negócio da venda de suplementos vitamínicos.
Precisamos tanto dos livros deste senhor e dos suplementos por ele propagandeados como de uma praga de piolhos.
terça-feira, 30 de junho de 2009
sábado, 27 de junho de 2009
Bad Science - precisamos deste livro

Ben Goldacre é médico e colunista no The Guardian. Dedica-se, desde há alguns anos, a tentar elevar o nível de literacia científica do Reino Unido, tanto através da exposição acessível de noções elementares sobre o processo científico como através da desmontagem de fraudes, fantasias e pseudo-ciência em geral em que o factor comum é a manipulação do público para fins comerciais. Há cerca um ano publicou "Bad Science", com uma reedição este ano que inclui um capítulo então retido por ordem judicial (os visados, aparentemente, não gostavam do que era dito sobre eles. O texto integral desse capítulo está aqui).
Têm sido publicados ao longo dos anos excelentes livros sobre pseudo-ciência, medicinas alternativas, homeopatias, dietas sem fundamento, desintoxicações e depurações fictícias, agulhas e alfinetes e actividades correlatas. Este é o primeiro livro que, de uma forma estruturada, não só desmonta as falácias subjacentes a estas práticas como explica, de modo fundamentado e acessível, os mecanismos que levam a mente humana a deixar-se seduzir por tais irracionalidades, convicta, contudo, de que está a efectuar as escolhas certas. E não se fica por aqui: Goldacre explica em palavras simples como funciona o método científico, desmistificando a noção de que a ciência é uma actividade muito complexa, acessível apenas a mentes iluminadas. Desenvolvendo ele próprio actividade jornalística, Goldacre é ainda impiedoso para com o mau jornalismo científico, dando exemplos de situações em que esse jornalismo teve consequências para a população, quer em termos de ansiedade desnecessária, quer em termos de aumento objectivo de casos de doença.
Quem quiser ler o livro no original pode comprá-lo nos sítios online habituais. Enquanto esperam podem ler o Bad Science Manifesto. Pela minha parte, vou escrever à Gradiva, que será um dia reconhecida pelo contributo que há anos dá para a literacia científica nacional, para que traduza o livro urgentemente.
Têm sido publicados ao longo dos anos excelentes livros sobre pseudo-ciência, medicinas alternativas, homeopatias, dietas sem fundamento, desintoxicações e depurações fictícias, agulhas e alfinetes e actividades correlatas. Este é o primeiro livro que, de uma forma estruturada, não só desmonta as falácias subjacentes a estas práticas como explica, de modo fundamentado e acessível, os mecanismos que levam a mente humana a deixar-se seduzir por tais irracionalidades, convicta, contudo, de que está a efectuar as escolhas certas. E não se fica por aqui: Goldacre explica em palavras simples como funciona o método científico, desmistificando a noção de que a ciência é uma actividade muito complexa, acessível apenas a mentes iluminadas. Desenvolvendo ele próprio actividade jornalística, Goldacre é ainda impiedoso para com o mau jornalismo científico, dando exemplos de situações em que esse jornalismo teve consequências para a população, quer em termos de ansiedade desnecessária, quer em termos de aumento objectivo de casos de doença.
Quem quiser ler o livro no original pode comprá-lo nos sítios online habituais. Enquanto esperam podem ler o Bad Science Manifesto. Pela minha parte, vou escrever à Gradiva, que será um dia reconhecida pelo contributo que há anos dá para a literacia científica nacional, para que traduza o livro urgentemente.
quinta-feira, 18 de junho de 2009
Agora é que percebeu?
O Primeiro Ministro admitiu a exiguidade do orçamento para a cultura. Tardiamente, convenhamos. Naturalmente haverá muitos a puxar a brasa à sua sardinha favorita assinalando as falhas maiores. Para mim o criminoso afastamento de Paolo Pinamonti da Direcção do S. Carlos foi a que mais doeu, ainda por cima com a desgraça de temporadas que se lhe seguiram.
Sejamos optimistas. Como pior era difícil, probabilisticamente os tempos melhores deverão seguir-se.
(É mentira, claro. Podem piorar, e muito.)
Sejamos optimistas. Como pior era difícil, probabilisticamente os tempos melhores deverão seguir-se.
(É mentira, claro. Podem piorar, e muito.)
domingo, 14 de junho de 2009
sábado, 13 de junho de 2009
Da miséria que bate à porta
Isto é incrível, não é? Que cada um pense no que pode fazer para que isto não aconteça. E faça.
sexta-feira, 12 de junho de 2009
Da importância do exemplo
Não usemos os nossos heróis para nos desculpar. Usemo-los como exemplos.
António Barreto, nas comemorações do 10 de Junho.
António Barreto, nas comemorações do 10 de Junho.
sexta-feira, 5 de junho de 2009
Voo 447
Um arrepio fininho na espinha. Podíamos ter sido nós.
Segue-se a tentativa de distanciamento. Não há-de ser nada quando formos nós a voar.
O murro na alma dos que hoje choram deixará marcas definitivas. Não se sobrevive impunemente.
Segue-se a tentativa de distanciamento. Não há-de ser nada quando formos nós a voar.
O murro na alma dos que hoje choram deixará marcas definitivas. Não se sobrevive impunemente.
segunda-feira, 1 de junho de 2009
segunda-feira, 11 de maio de 2009
Das alfaces e outros vegetais
Uma chuva morna e regular inunda o tempo, os campos e as estradas, com a costumeira colheita de pára-choques amolgados. Aqui no posto de escuta reduz-se o movimento, ainda que vários dos indefectíveis não deixem de aparecer. Raros casos de neurose suína, felizmente, muito raros mesmo. Parece haver algum bom senso no ar, ao contrário de outros momentos de insanidade colectiva. A denominada crise parece também estar a incutir algum cuidado, uma certa falta de euforia, que apenas se continua a manifestar, imperturbável, no pseudo-entusiasmo histérico dos apresentadores dos programas das manhãs e tardes televisivas.
As alfaces, entretanto, vão sendo regadas. As barragens vão enchendo. Espero que as flores de cerejeira já estejam para lá da fase em que a chuva arruina a cereja. Já não vejo a Gardunha há demasiado tempo.
sexta-feira, 8 de maio de 2009
terça-feira, 5 de maio de 2009
Vasco Granja 1925-2009

Fica na nossa memória - pelo menos daqueles para quem o cinema de animação e a banda desenhada podem ser formas superiores de arte.
sexta-feira, 24 de abril de 2009
quinta-feira, 16 de abril de 2009
sábado, 11 de abril de 2009
domingo, 5 de abril de 2009
quarta-feira, 18 de março de 2009
Em Aveiro uma criança morreu e os pais vivem hoje o Inferno na Terra. Perceber, mais que condenar, é preciso. Um texto notável de Gene Weingarten, publicado no Washington Post, foi muito oportunamente traduzido pelo Público. Merece toda a divulgação possível: pela atitude, pela extensão da investigação, pela apresentação de múltiplos pontos de vista, por conseguir uma visão global de uma tragédia indizível. E, sobretudo, por permitir perceber que, para além do horror, viver é possível.
sexta-feira, 13 de março de 2009
A WWW faz vinte anos

Esquema da proposta original, aqui.
Obrigado a Tim Berners-Lee por ter contribuído para um mundo melhor.
sábado, 28 de fevereiro de 2009
Vamos ter os Oasis em Portugal. Não estou impressionado. Banda chata, monótona, sem chama apesar das fitas recorrentes. Para complicar tiveram o azar de aparecer mais ou menos na mesma altura dos Radiohead e dos Blur, o que só ajudou a perceber onde se encontra o verdadeiro talento e onde está a palha. A minha consolação está em saber quem será ouvido daqui a vinte anos.
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
Disease mongering

Retirado daqui.
Agora que se inicia a campanha para deixar toda a gente, como de costume, morta de medo, de modo a que o governo não tenha a coragem de recusar a comparticipação da vacina contra o rotavírus (tal como aconteceu recentemente com a vacina contra o HPV) deixo alguns links sobre o que é hoje conhecido na comunidade internacional como disease mongering:
A definição na Wikipedia,
um conjunto de artigos sobre o assunto, e
dois textos de um dos mais lúcidos médicos e pensadores de Espanha sobre a vacina contra o HPV, aqui e aqui. O tema, aliás, tem sido pegado recorrentemente pelo MEMI.
Agora que se inicia a campanha para deixar toda a gente, como de costume, morta de medo, de modo a que o governo não tenha a coragem de recusar a comparticipação da vacina contra o rotavírus (tal como aconteceu recentemente com a vacina contra o HPV) deixo alguns links sobre o que é hoje conhecido na comunidade internacional como disease mongering:
A definição na Wikipedia,
um conjunto de artigos sobre o assunto, e
dois textos de um dos mais lúcidos médicos e pensadores de Espanha sobre a vacina contra o HPV, aqui e aqui. O tema, aliás, tem sido pegado recorrentemente pelo MEMI.
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
A música vinda de dentro
Os Tindersticks voltaram a tocar em Lisboa. Não fui vê-los, mas bons amigos que lá estiveram fizeram-me o favor de me trazer um CD à venda lá - o mesmo concerto, gravado ao vivo, em Glasgow, no dia 5 de Outubro de 2008. Na jukebox aqui do lado fica o princípio do concerto. Não conhecer esta música é perder o espírito do tempo que vale a pena.
Obrigado, G e B.
Obrigado, G e B.
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
domingo, 1 de fevereiro de 2009
domingo, 25 de janeiro de 2009
The International Normalized Ratio after 2 Warfarin Doses
Parece que vai haver mais dinheiro para a ciência. É bom, mas continua a ser miseravelmente pouco em vista dos disparates que por aí se preparam.
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
Não me consta que haja TGV na Noruega. Nem serão, provavelmente, organizadores de nenhum campeonato mundial de futebol. Invejo-os.
A tacanhez mental deste país deixa-me, por vezes, siderado. Não sei se é de estarmos mesmo nas berças da Europa, longe de tudo o que é civilizado, ou se é uma questão de Sul cultural. A verdade é que cada vez tenho menos paciência para estes primatas engravatados que nos entram casa dentro nos telejornais, com ar grave e a lentidão de quem profere pensamentos profundos - e que mais não fazem que balbuciar inanidades, devagarinho para poderem soletrar as ideias indigentes que produzem.
A minha primeira proposta política: a extinção imediata, sem indemnização para ninguém, da Federação Portuguesa de Futebol. Todos, imediatamente, para a rua. Não quero o dinheiro dos meus impostos gasto nesta alarvidade. Já chega.
A tacanhez mental deste país deixa-me, por vezes, siderado. Não sei se é de estarmos mesmo nas berças da Europa, longe de tudo o que é civilizado, ou se é uma questão de Sul cultural. A verdade é que cada vez tenho menos paciência para estes primatas engravatados que nos entram casa dentro nos telejornais, com ar grave e a lentidão de quem profere pensamentos profundos - e que mais não fazem que balbuciar inanidades, devagarinho para poderem soletrar as ideias indigentes que produzem.
A minha primeira proposta política: a extinção imediata, sem indemnização para ninguém, da Federação Portuguesa de Futebol. Todos, imediatamente, para a rua. Não quero o dinheiro dos meus impostos gasto nesta alarvidade. Já chega.
sábado, 10 de janeiro de 2009

O país inteiro bate o dente e os telejornais abrem com os camiões encravados na IP4. Atiram-se bolas de neve de um lado para o outro. E, contudo, esta neve é risível por comparação com os países onde neva a sério.
Precisamos mesmo é de mudanças para nos sentirmos bem.
Austrália ou Havai eram duas boas hipóteses.
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
domingo, 4 de janeiro de 2009
Ela anda aí
Gráfico consultável no sítio dos Médicos-Sentinela, aqui.
A gripe aí está. Vírus Influenza A, estirpe H3N2. Bicho conhecido, faz parte da vacina que foi dada nesta época, pelo que quem a tomou está safo ou, na pior das hipóteses, passará com uma gripe atenuada.
De recordar, contudo, que as constipações são causadas por mais que muitos vírus - e aí a vacina não tem efeito, que constipações e gripe não são a mesma coisa.
Dito isto, paracetamol, muitos líquidos, mezinhas domésticas a gosto e vapor de água. E repouso, que o vírus adora músculos e deixa os ditos em mau estado. E, por favor, NÃO TOMEM ANTIBIÓTICOS PARA TRATAR A GRIPE!
segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
Uma imperceptível alteração no trânsito sugere que as festas de Natal se aproximam. Apesar de, tecnicamente, ainda faltarem um dez dias, nota-se que já está tudo a fazer contas às rabanadas.
Somos seres de gostos simples. Ou seríamos, se não fosse uma invenção demoníaca chamada marketing.
A resolução da crise económica não está em arranjar comida para todos. Está em esfolarmos voluntariamente a pele para comprar o que, em boa verdade, não passa de lixo inútil. Os políticos chamam às medidas de coerção psicológica para que tal aconteça estimular o consumo.
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
domingo, 16 de novembro de 2008
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
Passei hoje algum tempo em transportes públicos. Raramente os uso. Não há mérito nem demérito neste facto, é apenas um facto. Levei um livro e li todo o tempo. Deu para alguns capítulos. À minha volta a esmagadora maioria limitava-se a olhar o vazio. Alguns mais jovem demoliam os tímpanos com phones. Na minha estimativa perdem-se muitos milhões de horas em transportes públicos que poderiam ter um excelente aproveitamento: ler.
A culpa não é toda das pessoas, que a cultura de imbecilização vigente ajuda, e muito. Mas a culpa também é delas.
(E não me digam que é do preço dos livros. Quantos ali dentro terão plasmas em casa? Eu não tenho. Nem lhe sinto a falta).
A culpa não é toda das pessoas, que a cultura de imbecilização vigente ajuda, e muito. Mas a culpa também é delas.
(E não me digam que é do preço dos livros. Quantos ali dentro terão plasmas em casa? Eu não tenho. Nem lhe sinto a falta).
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
Uma profissão bem paga e satisfatória intelectualmente.
Uma profissão mal paga e muitíssimo mais satisfatória intelectualmente.
Impossível conciliar as duas sem comprometer a sanidade mental.
Há escolhas complicadas. Se bem que a crise na banca aponte o caminho racional.
O problema é a provável sobrestimação da racionalidade.
Uma profissão mal paga e muitíssimo mais satisfatória intelectualmente.
Impossível conciliar as duas sem comprometer a sanidade mental.
Há escolhas complicadas. Se bem que a crise na banca aponte o caminho racional.
O problema é a provável sobrestimação da racionalidade.
terça-feira, 7 de outubro de 2008
sábado, 27 de setembro de 2008
Praticamente impossível passar por aqui nos últimos tempos. Falta de tempo, também, mas sobretudo a consciência de que, para escrever algo legível por outros, o que se tem a dizer vale a pena ser lido. E não tenho achado que o que me vem à ideia ou o que vou fazendo mereça divulgação ou comentário, para além da conversa de refeição no círculo familiar. Se calhar são expectativas exageradas e preciso de descontrair. Logo se vê. Entretanto vou passando discos.
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
First beam in the LHC - accelerating science
Geneva, 10 September 2008. The first beam in the Large Hadron Collider at CERN1 was successfully steered around the full 27 kilometres of the world’s most powerful particle accelerator at 10h28 this morning. This historic event marks a key moment in the transition from over two decades of preparation to a new era of scientific discovery.
A importância deste momento, apreendida por poucos, só será reconhecida daqui a muito, muito tempo.
segunda-feira, 1 de setembro de 2008
quinta-feira, 28 de agosto de 2008
Um insecto terá estado na origem do encerramento preventivo dos blocos operatórios do Hospital dos Lusíadas, em Lisboa. Uma precaução desta natureza poderá parecer estranha a olhos mais desavisados. Na verdade revela atenção e rigor, e fica bem aos responsáveis do Hospital. Que outros lhe sigam o exemplo e não tenham medo de actuar quando a segurança dos pacientes se justifique.
segunda-feira, 25 de agosto de 2008
Vinte anos depois do incêndio do Chiado ouço múltiplos opinadores referindo que o Chiado já não é o que era e que se perdeu o seu espírito. Concordo. O Chiado, hoje, está incomparavelmente melhor que há vinte anos. Excluindo as vidas destruídas e o espólio insubstituível da Valentim de Carvalho, pouco mais se terá perdido de relevante. Arderam sobretudo os Grandes Armazéns do Chiado e o Grandela, duas confrangedoras imitações dos grands magasins franceses: pífios e mofentos, em perfeita degradação à época, se não tivessem ardido teriam acabado tipo Martim Moniz ou vendidos a alguém que os arrasasse por dentro.
Hoje circula-se por um Chiado cuja remodelação apenas pecou pelo arrastar de pés. E os que hoje dizem que o Chiado já não é o que era, dizem-no sobretudo porque, sem darem por isso, envelheceram. Foram ultrapassados pelo tempo, num Chiado no qual já não se reconhecem, onde fazem a sua vida as gerações para quem o incêndio é uma nota de rodapé da História.
sábado, 23 de agosto de 2008
Tempo de recomeçar os trabalhos de Sísifo.
Os Jogos Olímpicos foram um bom entretenimento - não mais que isso devem ser considerados - e passaram à história, com glória para os vencedores, honra para os vencidos e a ignomínia para os batoteiros que foram apanhados. Os Jogos não são muito importantes: têm nem mais nem menos a importância que lhes atribuirmos.
A morte inesperada e violenta perto de nós é sempre mais pesada que a morte distante, sobretudo se forem brancos, de média burguesia e em férias de Verão, ou seja, aqueles com os quais nos identificamos. Bem diverso da morte de afegãos, indianos, pretos e quase brancos quase pretos de tão pobres, que esses não têm nada a ver connosco. Mas a morte é sempre importante, por definitiva.
Hoje continuamos.
quinta-feira, 31 de julho de 2008
As férias são uma necessidade e não um luxo. Não são a diversão por decreto, ou uma qualquer joie de vivre imposta por revistas da moda e cronistas in, de inúteis, que vivem de convencer os outros da existência de uma vida realizada ao virar da esquina ou no destino do próximo voo. Falar de silly season é um erro perigoso: esta é a época em que, exaustas e mortas por fugir para qualquer lado, as pessoas estoiram orçamentos nas maiores atrocidades e cometem os maiores erros dos quais, em Outubro, se arrependem amargamente. As férias não são, ou não deveriam ser, dias e noites a queimar os miolos e o canastro numa correria alucinada a ver quem se divertiu mais. Devem, ou deveriam ser, uma pausa na vida brutal e exigente que levamos, que sempre levámos e que sempre levaremos. Uma reposição nas reservas de capacidade física e de lucidez.
Escrevia há muitos anos Vasco Pulido Valente, uma das cabeças mais lúcidas de que tenho memória, que nunca tinha percebido aquela coisa de “dar praia às crianças”. Subscrevo integralmente. E é também por isso que irei para Norte, esse Norte português assombroso, nesta época povoado por portugueses de torna-viagem, que os outros rumaram, zombificados, para os cemitérios de betão com forro de plástico que cobrem o Algarve.
A quem ficou por aqui, deixo no gira-discos música para fechar os olhos e descansar. Imaginem o fundo do mar. É mais real este mar que aquele que vendem as agências de viagem.
Até daqui a duas semanas.
Escrevia há muitos anos Vasco Pulido Valente, uma das cabeças mais lúcidas de que tenho memória, que nunca tinha percebido aquela coisa de “dar praia às crianças”. Subscrevo integralmente. E é também por isso que irei para Norte, esse Norte português assombroso, nesta época povoado por portugueses de torna-viagem, que os outros rumaram, zombificados, para os cemitérios de betão com forro de plástico que cobrem o Algarve.
A quem ficou por aqui, deixo no gira-discos música para fechar os olhos e descansar. Imaginem o fundo do mar. É mais real este mar que aquele que vendem as agências de viagem.
Até daqui a duas semanas.
sábado, 26 de julho de 2008
Randy Pausch morreu ontem. A sua lição fica para a história. Obrigatório ver, reflectir e transmitir.
quarta-feira, 23 de julho de 2008
domingo, 20 de julho de 2008
Foto: Isabel Pinto
Quando fui à procura do duplo CD de António Pinho Vargas - Solo - à FNAC, no fim de semana de lançamento, estava esgotado. Consegui tê-lo alguns dias depois. Escutá-lo foi voltar a uma casa nunca esquecida e guardada na memória.
Pinho Vargas não perdeu tempo durante estes anos. Compôs e estudou. Estudou muito. Voltar a tocar estas peças, hoje, reflecte esse amadurecimento. Nota-se no despojamento e simplicidade conseguida. Nota-se muito bem na noção dos limites. Pinho Vargas sabe até onde pode ir, nomeadamente quando improvisa. Sabe que raramente existem obras acabadas, daí intitular os discos "Imperfeições". E sabemos nós que as obras imperfeitas podem ser belas, como estas peças são - incrivelmente belas.
Recordo o concerto dado por Pinho Vargas na Culturgest há uns anos para comemorar, salvo erro, uns vinte e cinco anos de carreira. No momento mais esperado, a peça Tom Waits, o acompanhamento reduziu-se a Rui Júnior, descalço, acompanhando a peça com uma pequena caixa de areia.
Neste disco nada mais há que Pinho Vargas e um piano. Os temas surgem límpidos; os improvisos, contidos. Pinho Vargas sabe que Keith Jarrett há apenas um e, evocando esse estilo, não insiste excessivamente. Nem precisa.
Neste disco nada mais há que Pinho Vargas e um piano. Os temas surgem límpidos; os improvisos, contidos. Pinho Vargas sabe que Keith Jarrett há apenas um e, evocando esse estilo, não insiste excessivamente. Nem precisa.
Sabedoria, clareza, contenção. Apenas música, tanto quanto humanamente possível, perfeita.
sexta-feira, 11 de julho de 2008
Governo e PSD andam entretidos a discutir modelos de família. Estão deliciados apesar da irrelevância evidente da discussão - ambos sabem que cada um em sua casa continuará a fazer como lhe aprouver. Enquanto discutem o tema, impantes, passam ao lado daquilo que verdadeiramente conta mas que não têm, nem um nem outro, capacidade de resolver: a economia.
segunda-feira, 7 de julho de 2008
Ontem, Domingo, curta deslocação ao Sul. Sinais dos tempos:
1) Às oito e meia da manhã, monumental fila de carros na 25 de Abril direita à Costa da Caparica. Férias? Pois.
2) Algures por alturas do Alentejo, grande cartaz da Brisa proclamando "VALE DOS PINHEIROS". Até onde a vista alcançava, sobreiros.
1) Às oito e meia da manhã, monumental fila de carros na 25 de Abril direita à Costa da Caparica. Férias? Pois.
2) Algures por alturas do Alentejo, grande cartaz da Brisa proclamando "VALE DOS PINHEIROS". Até onde a vista alcançava, sobreiros.
quinta-feira, 3 de julho de 2008
Fui meter combustível no carro depois das 11 da noite. Bomba completamente cheia de gente, fazendo fila. Não estava previsto aumento à meia noite. Um dia perfeitamente incaracterístico - uma terça feira. Poder-se-ia admitir que é princípio do mês, mas os próprios empregados da etação estavam espantados com aquele afluxo de clientes que, diziam, tinha ocorrido subitamente, sem explicação, sem aviso, sem qualquer fenómeno colectivo que o justificasse.
Caos e complexidade. Quem não compreender estes conceitos ficará muito, cada vez mais, confuso.
quarta-feira, 25 de junho de 2008
Está a terminar um período de discussão pública sobre documentos produzidos pelas denominadas medicinas complementares e alternativas no sítio da Direcção Geral da Saúde, com vista a uma futura regulação. É um bom momento para recomendar algumas leituras, nomeadamente o recentíssimo
Suckers - How Alternative Medicine Makes Fools of Us All
Rose Shapiro
Harvill Secker, Fevereiro de 2008
disponível através da Amazon para quem quiser. 258 páginas e algumas centenas de referências bibliográficas documentando o que é escrito.
Transcrevo os primeiros parágrafos do capítulo 10 - The healthy sceptic
There are two definitions of the word 'sucker' I had in mind when I thought about the title of this book. Sucker: one who lives at the expense of others, and sucker: a gullible or easily deceived person. The growth of alternative medicine in the modern era has depended on the existence of both kinds of sucker.
And when I suggest that alternative medicine makes fools of us all, I am thinking about not only those who practise alternative medicine and those who use it, but also those of us who simply let it carry on unchallenged. There is a pervasive tolerance of complementary and alternative medicine which allows it to flourish. I believe this indulgent laissez faire approach is no longer acceptable and needs to change. The growth of CAM [complementary and alternative medicine] matters - it trades in false hope, it is bad for our health, it threatens our intellectual culture, it wastes public money and it undermines some of our most important and valued institutions. Those who promote it and the junk science that all too often accompanies it, are, to quote Raymond Tallis, 'enemies of mankind's best hope for a better future. In short, enemies of mankind'."
A luta contra o obscurantismo, a superstição, a crendice, a ignorância e a vigarice continuam.
(Com um agradecimento ao Jansenista por ter chamado a atenção para este livro).
Suckers - How Alternative Medicine Makes Fools of Us All
Rose Shapiro
Harvill Secker, Fevereiro de 2008
disponível através da Amazon para quem quiser. 258 páginas e algumas centenas de referências bibliográficas documentando o que é escrito.
Transcrevo os primeiros parágrafos do capítulo 10 - The healthy sceptic
There are two definitions of the word 'sucker' I had in mind when I thought about the title of this book. Sucker: one who lives at the expense of others, and sucker: a gullible or easily deceived person. The growth of alternative medicine in the modern era has depended on the existence of both kinds of sucker.
And when I suggest that alternative medicine makes fools of us all, I am thinking about not only those who practise alternative medicine and those who use it, but also those of us who simply let it carry on unchallenged. There is a pervasive tolerance of complementary and alternative medicine which allows it to flourish. I believe this indulgent laissez faire approach is no longer acceptable and needs to change. The growth of CAM [complementary and alternative medicine] matters - it trades in false hope, it is bad for our health, it threatens our intellectual culture, it wastes public money and it undermines some of our most important and valued institutions. Those who promote it and the junk science that all too often accompanies it, are, to quote Raymond Tallis, 'enemies of mankind's best hope for a better future. In short, enemies of mankind'."
A luta contra o obscurantismo, a superstição, a crendice, a ignorância e a vigarice continuam.
(Com um agradecimento ao Jansenista por ter chamado a atenção para este livro).
sexta-feira, 20 de junho de 2008
Início de Verão. Calma? Talvez, mas improvável. Calor? Talvez e provável.
As férias tenderão, progressivamente, a ser um privilégio de poucos. Sobram os amigos. Este "sobram" minimiza aquilo que, afundados em folhetos prometendo o paraíso em resorts todos iguais, tendemos a esquecer. E que é o que, afinal, conta.
As férias tenderão, progressivamente, a ser um privilégio de poucos. Sobram os amigos. Este "sobram" minimiza aquilo que, afundados em folhetos prometendo o paraíso em resorts todos iguais, tendemos a esquecer. E que é o que, afinal, conta.
domingo, 15 de junho de 2008
Terça feira última, no Mosteiro de Alcobaça, quatro homens mostraram porque motivo a voz humana nua prevalecerá sobre o ruído e a confusão.
domingo, 8 de junho de 2008
quinta-feira, 5 de junho de 2008
segunda-feira, 2 de junho de 2008
She was that woman who always seemed to be passing by on days when the shade was green under the tunnels of oaks and elms in the old town, her face shifting with the bright shadows as she walked, until it was all things to all people. She was the fine peaches of summer in the snow of winter, and she was cool milk for cereals on a hot early-June morning.
Ray Bradbury - A story of love
sexta-feira, 30 de maio de 2008
Combustíveis e alimentos sobem. Sinais separatistas reforçam-se um pouco por todo o lado. A rede global reforça a imagem mútua dos que têm e dos que não têm. Os que não têm, um destes dias, vão querer ter. A desagregação é tendencial, ao mesmo tempo que os gritos sobem de tom.
Guerras começaram por menos. Sempre houve a esperança de que, de cada vez, houvesse juízo. Nunca houve.
Preparemo-nos.
Guerras começaram por menos. Sempre houve a esperança de que, de cada vez, houvesse juízo. Nunca houve.
sábado, 24 de maio de 2008
Fragmento de imagem de O sacrifício - Andrei Tarkovsky, 1986
Subscrevo isto integralmente. Mas digo mais: a frase de Tarkovsky citada é, igualmente a tese central de O sacrifício.
Haja esperança.
quarta-feira, 21 de maio de 2008
Nas trincheiras (2)
segunda-feira, 19 de maio de 2008
Fala-se de setenta e um mil mortos. De diferente o facto de, antigamente, estas coisas acontecerem longe. Um milhão de mortos na China, antigamente era apenas um número. Hoje estão na nossa casa, ao vivo e a cores. E em muitos perpassa uma expressão de choque, ao perceberem finalmente que os mortos soterrados e as famílias que os buscam são gente exactamente como cada um de nós.
quinta-feira, 15 de maio de 2008
O Primeiro Ministro terá decidido deixar de fumar após o episódio das viagens entre Lisboa e Caracas.
Acho bem. Há problemas para os quais quase todas as soluções são boas. Recomendo assim uma ponte aérea entre Lisboa e Caracas. Apenas para fumadores.
(Era bom que fosse assim tão fácil).
(Era bom que fosse assim tão fácil).
domingo, 11 de maio de 2008
O assassinato de carácter continua em moda como, aliás, em todas as épocas. Servido por jornalistas de serviço, homens de mão, eminências pardas e, mais recentemente, blogueiros anónimos. Nada de novo, repito, a não ser a actualização das tecnologias. O fenómeno merece estudo usando métodos entomológicos, mas exige um estômago forte.
Isto foi apenas um desabafo. Desculpem.
sábado, 10 de maio de 2008
Parte da manhã passada na Escolar Editora e na Byblos. Tenho saudades de encher a barriga de livrarias, de modo que optei por ir, em vez de procurar nos catálogos da net. Soube-me muito bem.
Uma diferença, contudo. Na Byblos algo me incomodava. De repente percebi que era a música. Note-se que gosto muito do que estava a tocar (Gotan Project) mas na Escolar havia silêncio. O silêncio de recolhimento das bibliotecas e salas de leitura clássicas. Esse silêncio faz-me falta.
O livro, esse, vou ter de o comprar pela Amazon.
Uma diferença, contudo. Na Byblos algo me incomodava. De repente percebi que era a música. Note-se que gosto muito do que estava a tocar (Gotan Project) mas na Escolar havia silêncio. O silêncio de recolhimento das bibliotecas e salas de leitura clássicas. Esse silêncio faz-me falta.
O livro, esse, vou ter de o comprar pela Amazon.
domingo, 4 de maio de 2008
Quarenta anos sobre o Maio de 68. Não vai haver paciência para tanto Cohn-Bendit e que tais, e para os inevitáveis desiludidos da vida que acham (acham sempre) que aquilo não deu em nada e esteve aquém das expectativas. Esquecem-se de que a vida, por definição, fica sempre aquém do sonho.
Chega de discursos nostálgicos da treta. O futuro faz-se hoje.
Chega de discursos nostálgicos da treta. O futuro faz-se hoje.
quinta-feira, 1 de maio de 2008

Foto: S., com telemóvel. 30/04/08
Monumental aula de guitarra eléctrica ontem à noite no Coliseu de Lisboa, a ser repetida a esta hora no Coliseu do Porto. Assistência claramente constituída por todos os guitarristas passados, presentes e futuros a sul do Mondego, que os que vivem a Norte estão lá agora. Joe Satriani tem um domínio do instrumento que raia a perfeição e, ainda por cima, diverte-se à grande com o que faz. Apresentou-se com uma formação simples: bateria, baixo e viola-ritmo a acompanhar. O baixista, a meio, deu um verdadeiro espectáculo a solo com um exercício de slapping perfeitamente endiabrado que levou a assistência ao telhado. Foram tocados os temas de que a assistência estava à espera e toda a gente saiu contente e a dizer coisas como "Este gajo é o maior! Brutal!" e afins. Duas horas depois já havia clips do concerto no YouTube, que dão uma razoável ideia de como correram as coisas (basta teclar "Satriani" e "Coliseu").
E contudo houve algum cansaço durante uma parte importante do concerto. A minha sensação é a de que, apesar do virtuosismo exibido, o modelo de rock praticado por Satriani e outros grandes da guitarra, herdeiros de Hendrix, Ritchie Blackmore e outras lendas, se está a esgotar. Estupendo como foi este concerto, fica a ideia de que o futuro, do ponto de vista musical, anda por outras paragens.
Monumental aula de guitarra eléctrica ontem à noite no Coliseu de Lisboa, a ser repetida a esta hora no Coliseu do Porto. Assistência claramente constituída por todos os guitarristas passados, presentes e futuros a sul do Mondego, que os que vivem a Norte estão lá agora. Joe Satriani tem um domínio do instrumento que raia a perfeição e, ainda por cima, diverte-se à grande com o que faz. Apresentou-se com uma formação simples: bateria, baixo e viola-ritmo a acompanhar. O baixista, a meio, deu um verdadeiro espectáculo a solo com um exercício de slapping perfeitamente endiabrado que levou a assistência ao telhado. Foram tocados os temas de que a assistência estava à espera e toda a gente saiu contente e a dizer coisas como "Este gajo é o maior! Brutal!" e afins. Duas horas depois já havia clips do concerto no YouTube, que dão uma razoável ideia de como correram as coisas (basta teclar "Satriani" e "Coliseu").
E contudo houve algum cansaço durante uma parte importante do concerto. A minha sensação é a de que, apesar do virtuosismo exibido, o modelo de rock praticado por Satriani e outros grandes da guitarra, herdeiros de Hendrix, Ritchie Blackmore e outras lendas, se está a esgotar. Estupendo como foi este concerto, fica a ideia de que o futuro, do ponto de vista musical, anda por outras paragens.
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